Home
Quem Somos
CDPD-RJ
Sala de Espetáculos
Eventos Culturais
Reciclagem Profissional de Dança
Cursos
Projetos Sociais
CICIT
Fale Conosco
   Sala de Espetáculos


SALA DE ESPETÁCULOS
PROGRAMAÇÃO DE NOVEMBRO


CAFÉ COM TANGO
Baile de Tango. Toda primeira quinta-feira do mês, a partir das 20h30. R$ 15,00.

LOS MAREADOS
dia 1 de novembro

Organizado por Márcia Figueiredo, o evento começa com a exibição de vídeos de Tango, a partir das 20h30. Das 21h às 01h30, acontece no segundo andar do Espaço Café Cultural, o baile típico de Tango, ao som de tangos, milongas e valsas.

Classificação Etária: 16 anos.

 

CAFÉ COM DANÇA
Dança Contemporânea. Únicas Apresentações.

ESTRANHAS
dias 2, 9 e 23 de novembro, sextas-feiras, às 21h

ESTRANHAS é um solo de dança contemporânea que aborda a sensação de estranhamento provocada por algo suspeitamente íntimo ou estranhamente familiar. Inspirado pelo texto de Freud, “O Estranho” (1919), o espetáculo gira em torno da construção e desconstrução do corpo, diante das relações com outros corpos, objetos e com suas próprias entranhas. Daí, Estranhas.

Nesta apresentação, a dança também dialoga com o cinema, onde elementos e referências ao expressionismo alemão criam uma atmosfera cênica que é palco para diversas consciências. A subversão da realidade objetiva pela expressão subjetiva do corpo como lugar de estranhamento fazem desse espetáculo um convite não só à reflexão, mas a uma experiência emocional.

Nada mais simbólico para um trabalho como ESTRANHAS ter sua estréia no Dia de Finados. Como o tema abordado é a sensação de estranhamento diante de diversos aspectos da vida, a relação do homem com a morte e, mais ainda, com a sua própria morte, faz desta um inexorável e estranho aspecto da vida.

ESTRANHAS é o primeiro trabalho de uma proposta de pesquisa em arte (dança), que parte de um desejo de aprofundamento e aprimoramento de uma bailarina que é psicóloga, ou de uma psicóloga que é bailarina, tanto faz. É um estudo sobre o corpo desenvolvido tanto na esfera teórica-conceitual, quanto na prática e na conjunção de ambas, formando uma trama chamada de “O Isso”.

Ficha Técnica
Direção Geral, Coreografia e Bailarina: Marianna Peçanha.
Direção e Edição de Vídeo: Christian Schumacher.
Produção Executiva: Suelena Bastos (Angel Produções).
Trilha Sonora: José Felipe Ferreira.
Supervisão Coreográfica: Paula Águas.
Figurino: Anna Secco.
Iluminação: Toni Rodrigues.
Cenografia: Marianna Peçanha e Christian Schumacher.
Programação Visual: Christian Schumacher.
Duração: 60 min.
Preço do Ingresso: R$ 16,00.

Classificação Etária: 12 anos.

TARIQ AL NUR
dia 22 de novembro, quinta-feira, às 21h30

O Grupo de Dança do Oriente e Folclore Árabe Tariq Al Nur, interpreta o primor da dança do ventre, através da expressão artística da alma feminina, manifestando sua cultura e hábitos, da forma mais genuína.

As bailarinas, cujos movimentos revelam a sensualidade e o exercício de autoconhecimento corporal da mulher, estimulam as técnicas tradicionais da dança árabe, proporcionando uma atmosfera de encantamento ao espectador.

O show é rico em repertório de estilos e ritmos, mesclando movimentos de quadril, braços e mãos, domínio de tremidos, ondulações abdominais e deslocamentos no palco. A interpretação musical se complementa com a utilização de elementos cênicos, entre trajes e acessórios característicos, como véus, taças, bastões, snujs, apresentando os costumes e rituais de certas regiões, através de uma performance comunicativa ao público.

Ficha Técnica
Direção: Kamilla Franklin.
Música: Árabe (clássica, moderna, folclórica e de percussão).
Bailarinas: Camilla Habib, Jalilah Naseelah, Kamilla Franklin, Vê Ávila e convidadas.
Coreografia: Grupo de Dança do Oriente e Folclore Árabe “Tariq Al Nur”.
Figurino: Grupo de Dança do Oriente e Folclore Árabe “Tariq Al Nur”..
Duração: 50 min.
Preço do Ingresso: R$ 15,00.

Classificação Etária: 10 anos.

NOITE ESPECIAL DE ENCERRAMENTO
dia 30 de novembro, sexta-feira, às 21h

Encerrando a programação de dança de 2007, o Espaço Café Cultural convidou espetáculos que se destacaram ao longo do ano, para promover esta noite de apresentações especiais.

Duração: 60 min.
Preço do Ingresso: R$ 10,00.

Classificação Etária: Livre.

 

CAFÉ COM LEITE
Espetáculo de Teatro Infantil. Sábados e Domingos, às 17h. R$ 16,00.

ABRINDO O BAÚ
de 3 a 25 de novembro

Formado por duas contadoras de histórias e uma musicista, o grupo trabalha com narrativa de histórias populares de diversas tradições culturais.

Através da voz, música, expressão corporal e contato com os ouvintes damos vida aos contos. Nosso trabalho fundamenta-se na apropriação das histórias narradas, que significa processá-la no interior de si, criando imagens através de recordações e reconhecendo quais experiências humanas os contos traduzem. Essa prática inclui o estudo da linguagem simbólica e sentidos mais profundos das histórias, assim como um trabalho de pesquisa que reverencia sua cultura de origem. Acreditamos que a oralidade é marcada pela dimensão sensorial, pela relação entre fala e gesto. Nesse sentido, buscamos integrar a voz ao movimento e à musicalidade das narrativas e das palavras.

A natureza fundamental da narração de contos é a qualidade especial e sensível de encontro entre as pessoas, que valoriza ao mesmo tempo a singularidade e a experiência coletiva. Os contos são produto de uma ação conjunta, na qual contador e ouvinte os recriam; por isso, a relação com o público é essencial. Para tanto, trabalhamos com cenários simples e acolhedores, estabelecendo uma relação próxima com o ouvinte, para que o mesmo se sinta à vontade para atuar, interagir e participar do desenvolvimento das narrativas. Utilizamos poucos recursos cênicos, no sentido de estimular o exercício do imaginário e abrir a percepção e sensibilidade para as histórias, suas imagens e significados.

Maná de Histórias surgiu no ano de 2006, a partir do encontro entre Grupo Sopa e Roda de Histórias Indígenas.
Já se apresentou em diversos espaços culturais como Espaço Bimbo de Histórias, Atelier Véu de Poesia, Nós do Morro, CEASMI e espaços públicos. 

ABRINDO O BAÚ narra os contos: “Abrindo o Baú”, “O Baú de Histórias” (conto africano), “Como o Jabuti Enganou o Homem” (conto brasileiro) e “A Tartaruga e a Fruta Amarela (conto brasileiro).

O espetáculo reúne um repertório de histórias com temas em comum, que atentam para a importância dos esforços necessários em função de algo valoroso; da inteligência, astúcia e concentração como qualidades fundamentais para a realização dos sonhos e para a sobrevivência; da ligação entre céu e terra; da comunhão e da experiência coletiva; e da percepção daquilo que realmente nos alimenta. Também falam do processo de apropriação das histórias pessoais e da importância do ato de nomear, como um gesto de reconhecimento da existência do outro e de si. 

GRUPO MANÁ DE HISTÓRIAS

Aline Blajchman
Psicomotricista, formada pela Faculdade Instituto Brasileiro de Medicina e Reabilitação (IBMR); bailarina, formada pela escola Angel Vianna e contadora de histórias. Tem como experiência profissional atendimentos clínicos com psicomotricidade, na clínica social do IBMR, atendimentos particulares como psicomotricista e massoterapeuta; ministrou aulas de expressão corporal no curso anual de formação para educadores do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), em São Paulo; realizou contação de histórias para crianças portadoras de deficiência no consultório integrado Vitória Steinberg; participou de eventos como acrobata, perna-de-pau e malabarista, pela Escola Nacional de Circo, em escolas, hospitais fora do Rio de Janeiro (Minas Gerais e Espírito Santo); trabalhou em feiras de livros como contadoras de histórias ao lado de Ziraldo e com a editora Barsa; participou como bailarina do projeto Atelier Coreográfico da Rio Arte, ministrado pela bailarina e coreógrafa Regina Miranda; orientou aulas de alongamento e consciência corporal em uma academia em Santa Tereza; trabalhou, até recentemente, com projetos de artes integradas para educação infantil na escola israelita Eliezer Steinberg. Atualmente, trabalha como professora de contação de histórias no projeto Nós do Morro, no Vidigal, para crianças e adolescentes; capacita educadores da Baixada Fluminense com contação de histórias no espaço Silvio Monteiro em Nova Iguaçu pelo projeto Nós do Morro na Baixada e coordena, no mesmo projeto, uma equipe de educadores na lona cultural construída na escola municipal Alfredo Jose Soares, em Marapicu, Nova Iguaçu, que oferece aulas de jogo de cena, jogo de corpo, contação de histórias e memória, com o objetivo de formar crianças em teatro. Freqüenta a oficina Livre de Historias, ministrada por Rute Casoy e a oficina do grupo Confabulando, ministrada por Maria Clara Cavalcanti. Tem participado de diferentes cursos de formação em contação de histórias, tais como o Simpósio Internacional de Contadores de Histórias e Tapetes Contadores de Histórias.

Juliana Franklin
Jornalista e pesquisadora formada pela UFRJ, arte terapeuta, pelo Instituto Antrophos e formada no curso básico da Escola de Musica Villa-Lobos. Em 2000, encantou-se pela arte da narração: sua simplicidade, a proximidade com o ouvinte, o poder curativo das histórias e a profundidade de seus símbolos. Neste mesmo ano, ingressou no grupo Roda de Histórias Indígenas, no qual permanece até hoje, e, a partir daí, deu início a sua jornada de contadora de histórias. Neste caminho, participou dos grupos Latão de Histórias, Histórias de Tradição e Laerte Vargas e As Fiandeiras. Junto a esses grupos e com trabalhos solos, se apresentou em diversos espaços culturais e escolas como Instituto Moreira Salles, FLIP, Simpósio Internacional dos Contadores de Historias, Teatro Infantil do Jockey, Museu da Republica, UFRJ, Armazém Digital, GLIA, Núcleo de Artes da Urca, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, entre outros. Como arte terapeuta, atua na Clínica Social do Instituto Antrophos e une a essa prática o estudo da simbologia das histórias. Trabalha no atelier da dupla de artistas plásticos Mauricio Dias e Walter Riedweg. Vem desenvolvendo projetos que buscam, através da narração de histórias, arte terapia e artes plásticas, unir as dimensões das memórias pessoal e coletiva. Os projetos se baseiam em experiências que trabalham a alteridade numa tentativa de dar novo significado tanto à força que reside na singularidade, quanto à comunhão com o outro. 

Maiara Rio Branco
Maiara Rio Branco nasceu no Acre e começou sua incursão musical em bandas de rock’n roll na sua terra natal e no Rio de Janeiro. Mudou-se para Lisboa aos 18 anos, onde formou-se em Arte do Palhaço e trabalhou com Animação Social. Em Lisboa, teve aulas com o multi-instrumentista Múcio Sá e atuou em bandas de rock progressivo, música africana, entre outros gêneros. De volta ao Brasil, no final de 2005, Maiara ingressou no curso de Teoria e Percepção Musical, na escola Sistemus, na qual irá formar-se em dezembro de 2007. Hoje toca em bandas de forró e jazz, além de trabalhar como freelancer para diversas bandas e músicos. Recentemente, apaixonou-se pela contação de histórias, que lhe abriu a possibilidade de explorar outros sons e compor trilha sonora sendo regida pela história em si,  por seu ritmo intrínseco e pela magia e expressão das contadoras.

Rute Casoy
Rute Casoy é contadora de histórias, antropóloga, formada na École Pratique de Hautes Etudes en Sciences Sociales, em Paris, poetisa, escritora, artista plástica e professora de yoga. Em Paris, fundou a Escolinha de Arte Saci Pererê, para filhos de exilados políticos; e atuou como arte educadora e atriz na Cartoucherie de Vincennes, espaço de experimentação teatral. Autora de duas peças infantis, uma delas premiada no concurso Maria Mazetti: "O Doce Mistério", que dirigiu e produziu também em Paris, e "O Mistério do Arco-íris". Fundou o Biombo de Histórias, grupo teatral que apresenta peças baseadas na mitologia indígena. Pesquisadora em Mitologia Indígena, no Museu do Índio do Rio de Janeiro. Elaboradora do projeto “Porandussara”, que visa apresentar histórias indígenas em escolas e museus e está no processo de gravar uma coleção de oito CD Roms. Contadora de histórias em seminários, congressos, universidades e demais instituições em vários estados do país. Fundou e coordena a Roda de Histórias Indígenas, que funciona no Laboratório do Imaginário Social e Educação da Faculdade de Educação, UFRJ. Criou a oficina Livre de Histórias, um método próprio para a formação do contador de histórias, atuando em diversas instituições educacionais. Professora da Oficina de Contação de Histórias, no Espaço de Construção da Cultura da Ação da Cidadania, onde também é assessora pedagógica, no Rio de Janeiro. Idealizou o Sopão de Letras, evento que combina recital de poesia e contação de histórias com a degustação do "borscht", sopa russa de beterraba e creme de leite, receita aprendida com sua avó, também contadora de histórias. Criou e dirige o Ateliê Véu de Poesia, que agrega bordadeiras de diversas origens sociais com seus produtos à venda em lojas de decoração. Possui artigos publicados na revista Educação Ambiental do SENAC e no livro Sementes, patrimônio do povo a serviço da humanidade, da editora Expressão Popular. Arte Educadora formada na Escolinha de Arte do Brasil, psicomotricista e arte terapeuta formada, respectivamente, no Instituto Anthropos e com Ligia Diniz. Hoje vive em uma bela casa em Santa Teresa, Rio de Janeiro, onde desenvolve uma associação para o desenvolvimento da criatividade que já conta com a presença do grupo de contadores de histórias Sopa e com as bordadeiras do Ateliê Véu de Poesia.

Ficha Técnica
Narradoras: Aline Blajchman e Juliana Franklin.
Musicista: Maiara Rio Branco.
Supervisão Geral: Rute Casoy.
Produção: Aline Blajchman e Juliana Franklin.
Figurino: Carla Ferraz.
Luz: Mihay Freire.
Duração: 50 min.

Classificação Etária: Livre.

 

CAFÉ COM TEATRO
Espetáculo de Teatro Adulto. Sábados e Domingos, às 20h. R$ 10,00.

AS TRÊS IRMÃS
de 3 a 25 de novembro


 
As três irmãs são Olga, Macha e Irina. Três mulheres que moram numa cidade do interior da Rússia, acham tediosa a vida naquela província e sonham em voltar para Moscou, onde, um dia, viveram momentos felizes. E nessa ânsia de cultivarem um sonho que nunca se realiza vêem a vida piorar, à medida que a cunhada vai se apoderando de um espaço onde eram absolutas, o trabalho as deixa exauridas, o irmão se envolve em apostas que ameaçam seu patrimônio e suas relações sentimentais são frustrantes. Tudo isso, conforme as estações do ano passam e diversos agregados vêm e vão aos poucos. Mas, apesar da piora no plano da vida material, as três nutrem, de uma primavera a outra, o desejo de voltarem a Moscou.

Sobre um largo tapete de sal grosso as três irmãs se apresentam, num ir e vir surdo esboçam ações ao mesmo tempo rotineiras e estranhas, e, à medida que cruzam o espaço, deixam escapar ao vento seus murmúrios, suas verdades e suas divagações. Elas se apresentam.

Agora o sal já está pronto para receber a cena. Os atores esperam a sua hora de pisar o sal, a hora de entrar em cena. Enquanto esperam, assistem ao que se passa dispostos em cadeiras nas laterais do tapete. Junto a eles, apenas o essencial para que cada cena se realize. Os atores estão sentados fora do espaço cênico, mas estão aos olhos da platéia. Não há truques, é fundamental que o público identifique que aqueles onze são atores que entram, fazem suas cenas e se retiram. É necessário pensar sobre o que de real acontece numa estética realista. E se esse pode ser um ponto de partida para a composição dos personagens e das relações.

É possível haver algo de real na cena? Porque as cenas se sucedem cada qual com sua linguagem, de modo que as relações entre os personagens criados por Tchekhov vão se delineando através de ações não-verbais e quebras da linearidade. Quanto ao tempo, não é uma história de época, mas pelo fato de estarem presas a um presente eterno, parece uma história que se arrasta desde 1900, quando foi escrita. Trata-se de uma história parada no tempo, onde o apego ao passado é simbolizado pela presença de elementos antigos em cena que tenham esse ar ultrapassado, estando as três irmãs rodeadas por toda a sorte de quinquilharias inúteis que contêm a carga do passado, mas não são se encaixam no futuro e, por isso, têm seu significado reinventado.


Tchékhov informa, em sua rubrica inicial, as cores que representam suas personagens: Olga está de azul-marinho, Maria de preto e Irina de branco. Em torno dessas cores desenvolve-se a cena de um modo geral, e que o colorido possa aparecer quando der conta de um elemento alheio, que não corresponda diretamente ao universo dentro do qual as irmãs se inserem.

Neste drama, onde nada acontece, a inação é o grande acontecimento. Em cena, o não-acontecimento, a não-existência e a rotina eterna como a materialização desse nada. Penélopes que tecem, tecem e tecem, para depois desfiarem tudo e recomeçarem do zero. Sísifos que rolam a pedra eternamente montanha acima.  O mais importante é o subtexto: nos textos de Tchekhov o subtexto é sempre tão ou mais importante que o próprio texto. Subtexto que está na ação não-verbal inserida no passar do tempo, na ação não-verbal que se desenrola na transformação dos estados de espírito, na transformação da atmosfera de cada cena. A ação é sempre movida por tudo aquilo que cria no espectador a sensação de que ele assiste no palco ao fluxo da vida. E esse fluxo da vida é condicionado pelo tempo. Pela forma como o tempo atinge as personagens e por como elas se deixam atingir pelo tempo. Primando por isso, a inação se apresenta como intensa ação dramática.

Quanto ao lugar dessa inação, um grande espaço vazio que permita ao mesmo tempo a circulação de muitos personagens e também a concomitância de ações. Para que esse grande espaço vazio simbolize o presente desértico das três irmãs, o sal grosso. O sal que esteriliza o solo, o sal que conserva a carne e o sal que é frio.

SOBRE AS TRÊS IRMÃS
[por Rafael Souza-Ribeiro]

“O que é AS TRÊS IRMÃS hoje?”, perguntava eu aos atores ao longo de todo o processo de ensaios. E dessa questão e das respostas a ela, veio a nossa cena. Foi preciso compreender o tempo, qual o tempo em que nos inserimos e em que tempo as três se inserem, e qual o diálogo possível. O que está entre o passado e o futuro, o que se localiza entre o recordar e o vislumbrar. Porque é aí onde as três irmãs estão repousadas.
Num presente que é estéril e trata basicamente de vida. Num presente onde não se desdobra o passado nem se esboça o futuro. Elas só têm o agora, espremido e infindável. Tchekhov aí aprisiona a elas e aos tantos agregados, e todos folheiam o álbum do passado, voltam sempre à primeira página, agarrados a uma vida regular, plana, comum e vulgar.

A encenação quer tratar disso, e por isso cada cena é um importante fragmento de um painel, cada cena mereceu um cuidado especial, uma interpretação especial, dia após dia formava-se o painel traçado pelo russo há mais de cem anos. E assim compreendíamos até mesmo o que pode ser o teatro. As impressões peculiares a cada fala, cada personagem, cada cena, foram esmiuçadas e discutidas e realizadas para depois serem destruídas e questionadas e reconstruídas. Some-se a isto as tantas vivências dos tantos envolvidos que não podiam passar alheias ao nosso processo, a peça quer falar disso; ora, então a música de um e o corpo de outro se somaram, a fim de dar conta do que é o inverno, a fim de nos sugerir o amor, a fim de nos ilustrar o fracasso.

Neste mosaico sobre o fracasso humano, encontramos o riso, o deboche, a ironia. Encontramos o lamento ao lado de um chá. Ao lado do devaneio estava o pé descalço. Junto à solidão estava um secador de cabelo, um balde de água fria, um baralho de cartas marcadas. As três irmãs fazem suas malas e à medida que voam os pássaros migrantes, as desfazem, reconstroem as rotinas, sorriem às lágrimas, choram aos risos e se abraçam ao fim da tragédia. Elas sabem que nunca irão a Moscou. E o que as sustenta é a inação, a vida quase que de favor.

A cena d’ AS TRÊS IRMÃS não é uma cena de ontem, nem de amanhã, é uma cena do agora, uma cena que se repete a esmo, uma cena que se arrasta vigorosa desde quando foi escrita e que se recarrega e se repotencializa a cada vez que elas voltam ao marco zero: a esperança. E elas se deixam dançar a rotina, o aprisionamento, a reconstrução e a tentativa.

E depois de tanto perguntar aos atores “O que é AS TRÊS IRMÃS hoje?”, descobrimos uma cena de obviedades reconhecidas e de segredos escancarados, através dos detalhes, dos objetos, das rubricas, dos subtextos, das canções. Descobrimos como o teatro pode estar pleno, a favor de uma bela dramaturgia, e como um ator pode ser o maior autor de uma cena. E descobrimos que é preciso viver, é preciso viver... Viver!

Ficha Técnica
Direção: Rafael Souza-Ribeiro.
Elenco: Amanda Santana, Cecília Carvalhal, Débora Paganni, Eduardo Vargas, João Lucas Romero, Marcos Suhre, Paula Valente, Ricardo Leite Lopes, Sabrina Araújo Costa, Sergio Somene e Theo Fellows.
Direção de Arte: Tales Frey.
Cenografia: Rafael Souza-Ribeiro.
Figurino: Nanda Abdala.
Assistente de Figurino: Priscila Pires.
Maquiagem: Clarisse Canela.
Iluminação e Produção: Luana Martau.
Duração: 120 min.

Classificação Etária: 18 anos.

 

CAFÉ ALTERNATIVO
Teatro Adulto. Quartas-feiras, às 21h30. R$ 10,00.

GRAN CIRCO DEL DIABLO
de 7 a 28 de novembro


O GRAN CIRCO DEL DIABLO traz a cena o mito do diabo como uma metáfora das contradições do homem atual. Utilizando-se da linguagem circense, a peça é composta por números que mostram, sob diversos aspectos, a presença do diabo em nossas vidas, seja em sua lição individualista, seja no tabu que o diabo representa. O diabo é aquele que não quis amar Deus sobre todas as coisas e preferiu amar a si próprio como uma forma de contestar as limitações impostas. Nesse sentido, ele é muito próximo do homem que ambiciona sempre mais e que, para tanto, não mede conseqüências. A peça mostra o aspecto sombrio da natureza humana e brinca com o proibido. Sempre com um humor maligno, a peça revela o quanto nós, seres humanos avançados do século XXI, ainda tememos o desconhecido e ainda somos moralistas em relação à maldade potencial que temos dentro de nós.

O diabo sempre esteve mais próximo do homem do que Deus. Segundo a Bíblia, inclusive o inferno, geograficamente falando, seria mais próximo da terra do que o Céu. O diabo é um ser carnal que procura, como os homens, a auto-satisfação como meio de se libertar das limitações da existência. É curioso perceber que, apesar de seu forte caráter humano, o diabo continua sendo um exemplo negativo utilizado por todos: seja na ‘nova catequese’ evangélica, seja na ‘diabolização’ que o governo americano vem fazendo do mundo islâmico. De qualquer maneira, não podemos negar a influência que o diabo tem nos valores atuais. O excessivo respeito à individualidade, o desejo de sucesso ou mesmo a super valorização do prazer, são exemplos de nossa natureza demoníaca que, como Lúcifer, se apega a si mesmo e não mede conseqüências. O vínculo entre o diabo e o prazer pode ser percebido, sobretudo, na publicidade atual. O homem foge do diabo, mas segue sua cartilha. A contradição entre o correto e o vantajoso se confunde tanto quanto a nossa idéia de bem e de mal. O diabo nos faz lembrar dos nossos medos ancestrais e das perguntas que nunca responderemos. E, nesse sentido, nos faz perceber que ainda somos um grupo e que, por mais que a ciência avance, nunca nos livraremos das nossas fraquezas humanas.

A peça GRAN CIRCO DEL DIABLO foi criada a partir do conceito de Processo Colaborativo, desenvolvido por Antonio Araújo e seu Teatro da Vertigem. Isso significa que a criação surge de improvisos temáticos, mas que as especificidades das funções artísticas permanecem inalteradas. Seguindo a linha da companhia, a peça parte da pesquisa em torno de um tema, no caso o diabo. Esse tema foi escolhido tanto por sua potência quanto por contribuir para uma linha de interpretação que a companhia vem investigando desde de sua última peça. Chamamos essa linha de interpretação performática. Dialogando com as tendências do teatro contemporâneo, a interpretação performática renega o conceito de personagem para investir na figura real do ator. Quando o ator, em cena, estiver brincando com o proibido (neste caso, o diabo), saberá que não há um personagem para protegê-lo, e é a partir de sua própria exposição e de sua própria relação com o tema que a peça é construída. Nesse sentido, buscamos o conceito de não-interpretação tão almejado pelos happenings.

Ao mesmo tempo, o espetáculo utiliza o circo como linguagem. O circo, em sua forma consagrada, é conhecido por não ter uma história como fio condutor. Essa ausência de história, que também dialoga com as tendências do teatro contemporâneo, busca uma vivência real do acontecimento teatral, eliminando a ilusão que a ficção de uma história condutora proporciona. A partir desses conceitos, a peça é constituída por números que variam sobre o tema do diabo. Cada número, por sua vez, foi formado a partir das reações dos atores ao ‘brincar’ com o diabo. Entre momentos de medo e de riso, a peça segue sempre afirmando que os tabus que ainda resistem em nossa sociedade são provas de que, apesar dos pesares, ainda somos seres primitivos buscando explicações.

A Anti Cia de Teatro foi fundada em 2003, dentro da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Ainda na Universidade, se destacou como um importante grupo de pesquisa e realizou dois espetáculos dentro da Mostra Prática. Em 2005, a Anti Cia de Teatro estreou seu primeiro espetáculo profissional, “O Anti Cabaré da Cia”, com o qual fez várias temporadas e também apresentações em Universidades, Festivais e SESCs do Rio de Janeiro, recebendo, inclusive, prêmios e indicações. No inicio de 2007, a Cia estreou o espetáculo GRAN CIRCO DEL DIABLO e, novamente, se destacou por sua ousadia estética e temática. Em parceria com a banda Os Dissidentes, o espetáculo trouxe um novo público para o teatro; um público jovem e pouco familiarizado com a arte do teatro, mas que se sentiu contemplado pelo tipo de humor do GRAN CIRCO DEL DIABLO. Ainda em 2007, a Anti Cia foi convidada a participar do evento “Encontros de Humor”, onde apresentou a esquete original “O Manual do Bom Teatrinho”, que recebeu uma ótima avaliação da crítica especializada. Atualmente, a Anti Cia de Teatro está em fase de pré-produção e seu novo espetáculo “A Peça Punk!”.

Sempre buscando uma temática ousada e oferecendo um teatro festivo, a Cia procura quebrar a barreira com um público que ainda acha o teatro uma coisa chata e incapaz de dialogar com o mundo jovem, rebelde e alegre.

Duração: 1h20.

Classificação Etária: 18 anos.

 

CAFÉ COM MÚSICA
Música ao Vivo. Únicas Apresentações.

HANANZA
dia 8 de novembro, quinta-feira, às 21h

HANANZA é uma cantora mezzo-soprano e compositora desde muito nova. Tem vinte e três anos de idade e é natural do Rio de Janeiro. Carioca, carrega uma teatralidade intrínseca a seu jeito de ser e sua personalidade, que, no palco, é somada a uma voz forte e segura que sai de uma boca de sorriso largo.
       
Iniciou sua carreira em teatro musical. Esteve em cartaz em tributos a grandes artistas como Chico Buarque, Raul Seixas e Elvis Presley, em diferentes teatros do Rio.
   
Integrou uma banda por três anos, resultado da união entre teatro e música brasileira, onde era uma das três vocalistas, num trabalho que serviu-lhe de escola.
   
Atualmente, segue em carreira solo no show “De Bailarina a Astronauta”, onde metaforicamente o “estado Bailarina” representa a condição atual de uma pessoa, enquanto o “estado Astronauta” representa a condição em que se quer chegar por meio dos desejos, objetivos e muito trabalho.

Extrovertida, busca os olhos de seu público num show onde prevalece a leveza, a emoção e toda a verdade na comunicação artista-espectador.

Carisma, presença cênica e talento são as características deste show, marcado pela força e vitalidade de HANANZA.

O show “De Bailarina a Astronauta” conta com um repertório diversificado de música brasileira, apresentando composições, escolhidas a dedo, de grandes artistas como Gilberto Gil, Max de Castro, Djavan, entre outros. As composições autorais são igualmente bem recebidas pelo público, carregadas de personalidade, conteúdo, melodia e excelentes arranjos.

O corpo de músicos esbanja talento, carisma, afinidade e integração no palco. É composto por Marcus Kenyatta na guitarra, Mário Portella no Baixo, Rodrigo Fajardo no teclado e Marcílio Costa na bateria.

O cenário é um show à parte, idealizado por Bruno Ferraz, onde a delicadeza e a feminilidade estão presentes nas estruturas de móbiles elaboradas em origamis.


MARCILIO COSTA
Baterista desde os onze anos de idade, o paraense Marcílio Costa agregou muitos conceitos e valores ao longo de sua carreira. Tocando em diversas bandas de rock, pop, reggae, dentre outros estilos, acredita em um conceito musical global que possa não apenas “tocar”, mas sim transmitir a arte musical de forma ampla.

MARCUS KENYATTA
Guitarrista, iniciou no mundo da música aos seis anos de idade, aprendendo a tocar piano com sua tia. Aos quatorze anos, surgiu seu interesse pela guitarra e violão e, logo em seguida, montou sua primeira banda. De lá pra cá, fez parte de outros projetos, passando por diversos estilos como soul, rock e samba. Hoje, além de tocar com HANANZA, é também vocalista e guitarrista da banda de reggae Código Afro.

RODRIGO FAJARDO
Tecladista, começou aos seis anos de idade a estudar teclado de modo tradicional, com uma professora particular. Iniciado na música desde muito novo, ampliou seu campo de exercício e conhecimento, tocando, cantando e produzindo em corais e bandas de sua igreja. Sempre à procura de mesclar estilos em busca de um novo som, já integrou a banda de reggae Código Afro. Atualmente, além de tocar com HANANZA, toca também numa banda de pop/rock e é líder de música da Igreja Presbiteriana das Américas.

MÁRIO PORTELLA
Baixista, carioca e autodidata, começou aos 15 anos a tocar contrabaixo. Aos 18, passou a freqüentar aulas particulares. Entrou no Conservatório “Integrartes”, no curso “Prática de Conjunto”, e, com os alunos dessa turma, formou uma banda que tocava standards do jazz e da bossa nova, fazendo temporadas em diversos lugares, entre eles a rede SESC. Integrou bandas de new metal e jazz, sempre fazendo shows pelo Rio de Janeiro. Gravou dois CDs de música instrumental com o projeto BM Speed.


Preço do Ingresso: R$ 13,00.
Duração: 1h30.

Classificação Etária: Livre.

ROCKFULÔ – AUTOMÓVEL ZERO
dia 29 de novembro, quinta-feira, às 21h30

ROCKFULÔ é um power trio carioca, cujo trabalho autoral desponta com vigor e originalidade, traduzindo em linguagem própria um universo musical marcado por influências do Rock, do Blues, da MPB e outros ritmos e estilos da música brasileira.

Depois de um período de um ano tocando juntos, compondo, escrevendo e experimentando, o trio apresenta seu show “Automóvel Zero”, no Espaço Café Cultural, em Botafogo, nos dias 28 setembro, 25 outubro e 29 de novembro, sempre às 20h30.

O repertório inclui 12 composições próprias, incluindo “Abelha”, “Samba Particular”, “Dias Azuis” e “Automóvel Zero”, além de releituras de alguns sucessos da MPB, como “Canto de Ossanha” (Baden Powel), “Congênito” (Luiz Melodia), entre outros. Seja por causa do seu repertório variado, pela energia e presença de palco dos três músicos, ou pela estética inovadora, a banda começa a cativar um público fiel.

O ROCKFULÔ é formado por:

RAFAEL MEIRE (guitarra e voz)
Violonista, guitarrista, cantor e compositor, Rafael atua como músico profissional há sete anos. Licenciou-se em música pela Universidade do Rio de Janeiro (Uni Rio). Atualmente, ministra aulas de música em escolas do Rio de Janeiro e se apresenta em casas noturnas tocando Música Popular Brasileira.

RODRIGO FERREIRA (bateria e voz)
Músico há 17 anos, Rodrigo já estudou bateria, percussão (incluindo piano e marimba), violão e teoria musical. Morou nos Estados Unidos durante 5 anos e estudou música na MSU (Universidade do Estado de Michigan) e na escola de bateria Drummers Collective, em Nova York. Além disso, sempre tendo a bateria como principal instrumento, tocou em grupos de Jazz, Salsa e música Pop. Mais recentemente, concluiu o curso de Produção Musical e Gravação na Universidade de Stavanger, na Noruega.

BUKO (baixo e voz)
Baixista desde jovem, já tocou em diversas formações e em várias casas cariocas, como o Mistura Fina, Morro da Urca, Garden Hall, entre outros. Traz influência do Groove dos anos 70, do Rock Clássico e Progressivo, além da MPB. Estudou música na Scuola Media Platone, enquanto morou em Roma, Itália, e com professores e músicos profissionais no Rio de Janeiro.

Ficha Técnica
Guitarra e Voz: Rafael Meire.
Bateria e Voz: Rodrigo Ferreira.
Baixo e Voz: Buko.
Preço do Ingresso: R$ 16,00.
Duração: 1h20.

Classificação Etária: 12 anos.

 


CAFÉ COM TEATRO
Teatro Adulto. Sessões Fechadas.

FESTIVAL TÁPIAS DE ARTES INTEGRADAS
dias 15 e 16 de novembro

O FESTIVAL TÁPIAS, já na sua décima nona edição, abre espaço para artistas independentes e profissionais, agregando bailarinos, coreógrafos, atores, compositores, diretores, videomakers e criadores de diversas tendências artísticas, garantindo rica interação entre os vários segmentos artísticos.

Nos dias 15 e 16 de novembro, os esquetes de teatro pré-selecionados serão convocados para uma mostra do processo em andamento, a ser realizada no Espaço Café Cultural. Esta seletiva de teatro inscritos no FESTIVAL TÁPIAS DE ARTES INTEGRADAS é uma fechada, apenas para a direção artística do evento.

   
        
Espaco Café Cultural : Rua São Clemente 409 - Botafogo - Rio de Janeiro - RJ - Brasil - CEP : 22260-001
Telefone : (0xx21) 2286-2648 / Tel./fax : (0xx21) 2526-2666